Domingo pra relaxar

Fui dormir na casa de Chico Clementino.

Não conheço alguém mais hospitaleiro do que Chico e sua esposa Meiryane.

Ao chegar a sua casa fui direto à mesa. Sentei-me. Em poucos segundos, sobre a mesa, galinha caipira, queijos de coalho e manteiga, farofa, arroz, feijão, macarrão – lembrei-me de tradição sertaneja que ensina que feijão não combina muito com galinha caipira -, mas em se tratando de Chico… Papo vai, papo vem e Chico a botar na mesa refrigerante, três tipos de sucos, gelatina – não sei onde Chico achou aquilo -, mas tava lá, gelatina, carneiro, cozido e frito, carne de porco, cerveja, e uma gororoba em uma caixa dessas onde se bota suco industrializado – depois falo dessa gororoba. Tinha pão, pamonha, canjica, toucinhos fritos e bem crocantes, e, claro aquela inquietação de Chico, abrindo e fechando a geladeira de minuto em minuto. Meiryane, com aquela calma e educação, no fogão fritando queijo, ovos e avoantes, só observando.

Primo, gritava Chico para Assis, seu irmão, que a tudo observava caladão, compra ali, fazendo um favor, um litro de pinga pra Joãozinho, quando eu interrompia: vou beber hora dessas não, Chico. Em três minutos um litro de ypióca em minha frente e Chico pelejando pra eu beber.

Quando via daquele tanto de comida eu gelava, pois sabia que Chico, de pé o tempo inteiro, travaria uma guerra para botar comida no meu prato. Soube que ele ainda hoje mantém essa mania.

Nesse dia cheguei com fome e vi quase que se repetir comigo o milagre da multiplicação da comida. É que quanto mais eu comia, mais Chico botava comida no meu prato. Sua esposa apenas esboçava um leve sorriso.

Felizmente sempre que eu ia dormir lá em Chico, e foram muitas as vezes, uma cartela de sonrizal já repousava em minha frente, sobre a mesa. E tinha que ter, senão eu não dormia, empanturrado.

Depois subi para dormir. No banheiro, uns dez sabonetes – eu somente precisaria de um – e umas quatro toalhas, quando a mim uma bastaria. Fui tomar banho. Sai Chico, gosto de tomar banho na frente de macho não. Desculpa primo, pensei que poderias precisar de alguma coisa. Deitei-me no quarto de hóspede, depois de uma luta ferrenha, coisa de quase luta corporal, com Chico querendo que eu dormisse no quarto dele e, pasme, na cama do casal. Mas primo, disse Chico, eu durmo naquela rede – uma rede verde que daquele tamanho só vi mesmo na casa de Chico. Conversando, ele me entrega o primeiro lençol, limpinho, bem engomado e cheiroso. Quando pensava que Chico me deixaria em paz, eis que outro lençol era jogado em mim. Entre um e outro assunto, outro lençol e outro e mais outro.

Depois de não sei mais quantos lençóis, gritei: Chico, pelo amor de Deus, eu vou dormir ou sair por aí a vender lençol? Ele, finalmente saiu de fininho.

Lá pelas tantas, eu em um sono profundo, de repente acordei com aquele vulto em minha volta: era Chico. O que foi Chico? Perguntei assustado. Era pra saber se tu num tava precisando de alguma coisa Primo.

Chico, gritei, pelo amor de Deus, me deixa dormir.

Depois conto uma de Chico e Gilberto, dessa vez em minha casa.

 

*Por João Eufrasio

5 thoughts to “Domingo pra relaxar”

  1. Eu fui na casa de Chico , conhecer sua filhinha , eu , Raimundo , Bernarda e Maria Antônia , e Chico recebe tão bem , que até emociona e João Eufrásio , nós ainda depois de tudo que comemos lá na sua casa , Chico nos levou para o açude !! Grande primo , amiga Neiriane !!!

  2. Meu amigo Joãozinho também sou daqueles que acreditam que galinha caipira não combina com feijão.
    Porém adoro feijão…

  3. É por isso que eu gosto desse Joãozinho, o bixo é desenrolado, é advogado, já foi prefeito, e atualmente é blogueiro e crediarista, porque Chico Clementino tá no meio do mundo ganhando a vida honestamente vendendo crediário, só se tu encontrou com ele no meio do mundo. Rapaz minta, mas minta menos! Abraço.

    1. Querido Marcelo, eu já fui lá na casa de Chico mais de 200 vezes. O que falei aí é a mais absoluta verdade. E se vc não conhece Chico, vai lá e verás o quanto ele é bacana.
      Escreva sempre. O site é seu também, mesmo que para discordar.
      Volte sempre!

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